
Entidades defendem atualização dos limites do MEI e do Simples Nacional
agosto 13, 2026A transformação digital trouxe ganhos de eficiência e conveniência para empresas e consumidores, mas também ampliou a superfície de exposição a crimes. À medida que os ataques físicos a instituições financeiras vêm perdendo espaço, os criminosos migram para o ambiente digital, onde podem atingir sistemas, dados e operações sem precisar estar fisicamente no local.
Esta foi a temática do Capacita Conexão Segura, promovido nesta quarta-feira pelo Curitiba Convention no Transamérica Executive Hotel, e que contou com a presença do Coronel Antuani Vieira da Silva, do Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, apresentando uma perspectiva geopolítica da cibersegurança, com destaque para o exercício Guardião Cibernético; e do Major Felipe Siqueira, também do Comando de Defesa Cibernética, abordando o tema da higiene cibernética.
“O país registrou 84% das tentativas identificadas na América Latina”, disse o Coronel Antuani. “Este volume coloca o Brasil entre os países mais visados do mundo e reforça a necessidade de empresas de diferentes setores tratarem a segurança digital como uma questão estratégica”, acrescentou.
O impacto financeiro também cresce. Além dos custos diretamente relacionados à recuperação de sistemas, os ataques podem provocar paralisação de operações, perda de dados, danos à reputação, interrupção do atendimento e prejuízos decorrentes do vazamento de informações. “Alguns casos recentes mostram que a ameaça não está restrita a grandes corporações. Vazamentos de dados, ataques a sistemas públicos e invasões de infraestruturas críticas demonstram como a dependência tecnológica transformou a cibersegurança em uma questão que afeta governos, empresas e cidadãos”, afirmou o Coronel Antuani.
Outro fator que aumenta a complexidade do cenário é o uso de inteligência artificial pelo cibercrime e em cenários de guerra. A tecnologia pode ser empregada para automatizar golpes, produzir mensagens de phishing mais convincentes, criar perfis falsos e acelerar a identificação de vulnerabilidades. Ao mesmo tempo em que a IA oferece novas ferramentas para proteção, ela também reduz barreiras para criminosos sofisticarem suas estratégias. “As interações no meio cibernético exercem influência crescente sobre a cultura e a geopolítica global, impactando as relações entre os países. Isso ocorre porque o espaço cibernético também tem sido utilizado como arma de guerra, possibilitando ações e ataques contra nações localizadas a milhares de quilômetros de distância”, disse.
O Coronel falou ainda sobre o Projeto Córtex – Projeto Tecnológico de Cibersegurança, Inteligência Artificial e Tecnologias Quânticas, que tem como foco o fortalecimento da soberania tecnológica brasileira e foi criado para promover a pesquisa e o desenvolvimento de soluções críticas especialmente nas áreas de cibersegurança, inteligência artificial e tecnologias quânticas. Integram a iniciativa o Instituto Synapse, DCT, SETI e Fundação Araucária.
Uma das ações do grupo será a promoção, de 21 a 25 de setembro, de mais uma edição do Exercício Guardião Cibernético (EGC), o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. O evento terá como sede principal a cidade de Brasília, mas acontecerá nos hubs de Curitiba, Manaus, Belém, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.
Essa será a primeira vez que a capital paranaense recebe o treinamento, viabilizado pelo Projeto Córtex (Projeto Tecnológico de Cibersegurança, Inteligência Artificial e Tecnologias Quânticas), por meio da parceria entre a PUCPR e o Instituto Synapse. Promovido anualmente, o Guardião Cibernético reunirá mais de 240 instituições públicas e privadas (entre agências reguladoras, setores de água, telecomunicações, indústria, comércio, serviços e instituições de ensino), para simular ataques virtuais em larga escala, para testar e fortalecer a resiliência das infraestruturas críticas do país. Em Curitiba, o evento será realizado no Centro de Realidade Estendida da PUCPR, com 40 empresas participantes.
Ações individuais com desdobramentos coletivos
Em seguida, o Major Felipe Siqueira, passou à abordagem do viés da higiene cibernética, mostrando que todos os segmentos – inclusive no setor de turismo e eventos – a cibersegurança deve ser vista como uma responsabilidade: senhas fortes, controle de acessos, atualização de sistemas, treinamento de equipes, políticas para proteção de dados e planos de resposta a incidentes passam a fazer parte da gestão cotidiana das empresas.
Em sua fala, ele abordou os aspectos técnicos relacionados à higiene cibernética, contextualizando o tópico a partir de ataques cibernéticos registrados em grandes empresas do setor de turismo, incluindo casos recentes ocorridos em 2025. Também destacou os principais cuidados que devem ser adotados pelos usuários, tanto na vida pessoal quanto no ambiente corporativo, para reduzir vulnerabilidades e evitar que comportamentos individuais se tornem vetores de ataques às organizações. “Entre as recomendações, ressaltei a forma adequada de utilização das redes sociais e da internet, a compreensão e o cumprimento das políticas de segurança das empresas e a adoção de boas práticas no uso de dispositivos e sistemas, contribuindo para a proteção de dados e para o fortalecimento da segurança cibernética nos âmbitos pessoal e corporativo”, resumiu.
“Quando falamos em cibersegurança, muitas vezes pensamos em algo distante e altamente tecnológico, mas ela começa em atitudes simples do nosso cotidiano, como o cuidado com senhas e acessos. Para empresários do turismo, esse cuidado é ainda mais importante, porque lidamos diariamente com dados e informações sensíveis de clientes. Ter processos organizados e uma cultura de segurança é fundamental para proteger essas informações e fortalecer a confiança nas relações com o consumidor”, encerrou a Diretora Executiva do Curitiba Convention, Cristiane Santos.
Fonte/Link da matéria: https://visitcuritiba.com.br/blog/setor-de-turismo-e-eventos-volta-o-olhar-para-a-ciberseguranca?lang=PT



