

Com a Copa do Mundo de 2026 já em andamento, bares, restaurantes, lanchonetes e meios de hospedagem em todo o país acompanham com otimismo os reflexos econômicos do maior evento esportivo do planeta. A expectativa é sustentada por estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que projeta uma movimentação adicional de R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro durante o torneio, valor que representa crescimento real de 6,5% em relação à Copa do Mundo de 2022.
De acordo com a pesquisa, o segmento de alimentos e bebidas concentra a maior parcela desse impacto econômico. A estimativa é de que aproximadamente R$ 3,97 bilhões sejam movimentados pelo setor, impulsionados pelo aumento do consumo durante as transmissões dos jogos, encontros familiares, confraternizações entre amigos e ações promocionais promovidas por estabelecimentos de alimentação.
A Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) destaca que os números reforçam a importância estratégica dos segmentos de hospedagem e alimentação para a economia nacional, especialmente em períodos de grandes eventos esportivos. A entidade observa que bares, restaurantes, lanchonetes e empreendimentos turísticos tendem a registrar aumento da demanda, principalmente em cidades com forte vocação turística e em centros urbanos que tradicionalmente concentram eventos temáticos relacionados à competição.
Segundo a CNC, o comportamento do consumidor nesta edição apresenta diferenças importantes em relação às Copas anteriores. Se em anos passados a aquisição de televisores e eletrodomésticos liderava os gastos pré-evento, atualmente o cenário econômico é marcado por crédito mais restritivo e taxas de juros elevadas. Com isso, os brasileiros têm direcionado seus recursos para experiências imediatas de consumo, especialmente alimentação, bebidas e entretenimento.
Além dos alimentos e bebidas, outros segmentos também devem ser beneficiados pelo torneio. O estudo aponta que o setor de vestuário e acessórios poderá movimentar aproximadamente R$ 803,7 milhões durante o período, impulsionado pela venda de camisetas, artigos temáticos e produtos relacionados às seleções participantes. Já os segmentos de eletrodomésticos e eletrônicos devem apresentar desempenho mais moderado, mesmo diante da redução dos preços dos televisores em comparação com a última Copa do Mundo.
A CNC também destaca fatores macroeconômicos que contribuem para o cenário positivo. Entre eles estão a melhora dos indicadores do mercado de trabalho, a redução da taxa de desemprego observada nos últimos anos e o avanço da massa de rendimentos reais da população. Esses elementos ajudam a sustentar o consumo das famílias, embora a entidade ressalte que o ambiente econômico ainda exige cautela em razão do elevado custo do crédito.
Para o setor representado pelo Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação (SEHA), a Copa do Mundo reforça a importância dos estabelecimentos de alimentação e hospedagem como espaços de convivência, lazer e geração de negócios. A expectativa é que o evento contribua para ampliar o fluxo de clientes, estimular ações promocionais e fortalecer a atividade econômica em diversas regiões do país, especialmente nos destinos turísticos e nos centros urbanos com tradição na transmissão dos jogos.
Com milhões de torcedores acompanhando diariamente as partidas, a Copa do Mundo de 2026 consolida-se não apenas como um espetáculo esportivo, mas também como uma importante oportunidade para movimentar a economia brasileira e impulsionar os setores de alimentação, turismo e hospitalidade.